A beautiful bit of small world mojo

The first time I went to Boston was to look for an apartment. On my last day I was hanging around Downtown crossing. Gmail confirms it was June 12th, 2010. I was having a polish sausage, and this guy approached me. I don’t remember what we talked about, but we chatted for a few minutes. Good town. That sort of thing is exactly what I’d expect in SLO (Central Coast California) or Santa Cruz… but this was in a place with a skyline! Anyways, he wasn’t in a cult and I didn’t get robbed.

Flash forward to some time that fall. I was in Inman Square and saw a chair left on the curb for anyone who needed a chair. I needed a chair. I lived in Union Square, but that was just the next neighborhood north (if I lived on Prospect Hill, there’s no way that chair would have made it, but I might have realized that before picking it up). So I pick up this chair and walk. Google Maps puts my route at 0.5 miles. I got a couple blocks short of that before I crap out. Fortunately I’ve got a place to sit down. So I’m sitting in an easy chair on the sidewalk, hauling it forward a few yards, and plopping down again.

Across the street, someone’s trying to get my attention. He comes over, and he’s the guy I’d randomly met months earlier. He lives across the street from me! And he helps me carry home my chair. We have a beer and chat.

Flash forward to Thanksgiving of that fall. I’m hanging out by myself. This is my first Thanksgiving alone. Neighbor guy knocks on my door and invites me over. Inside are a bunch of his musician friends, and this fantastic music is coming from one of the bedrooms. An impromptu jam session is playing the sort of dusty sounding blues I’m enamored with at the time. After they finish I mention that it sounds like this African blues guitarist, Ali Farka Toure. It turns out I pronounced his name right, because I’m immediately informed that his son was playing guitar just now!

Just now I was listening to Spotify, and a song reminds me of another song which led me to the song above from that album I’d bought when I lived in SLO and was trying to be worldly. Absolutely fantastic music, a mish-mash of cultural influences bouncing back and forth around the world, and I got to experience something of it first hand because of the grace and generosity of a fellow human.

But more than that, a mix of technology, globalization, and absolutely random chance created that beautiful memory and triggered it again just now. We live in a beautiful world.

Alguns mitos, equívocos e objeções comuns ao capitalismo parte 2

Continuando um post antigo, seguem mais alguns mitos, equívocos e objeções comuns ao capitalismo.

Três mitos a respeito da Grande Depressão e do New Deal

Mito #1: Herbert Hoover praticava o laissez-faire, e foi sua falta de ação que levou ao colapso econômico.

Na verdade Herbert Hoover era tremendamente intervencionista na economia. Sua intervenção cooperou para o início da depressão e sua continuada intervenção evitou que a economia se recuperasse logo.

Mito #2: o New Deal trouxe fim à Grande Depressão.

Longe de ser uma série de medidas coerentes contra a depressão, o New Deal foi uma tentativa de Frank Delano Roosevelt de demonstrar que estava fazendo alguma coisa. As medidas do New Deal apenas agravaram e prolongaram a crise. Países que adotaram uma postura menos intervencionista se recuperaram da crise mais rápido do que os EUA.

Mito #3: A Segunda Guerra Mundial deu fim à Grande Depressão.

Talvez este seja o pior mito de todos: a produção industrial no contexto da Segunda Guerra gerou empregos, aumentou o PIB, e com isso acabou com a Depressão. Conforme Friedrich Hayek afirmou, “da última vez que chequei, guerras apenas destroem”. Este mito é uma aplicação da falácia da janela quebrada, observada por Frédéric Bastiat. Guerras não produzem riqueza. Na verdade elas a destroem. O exame cuidadoso dos dados históricos demonstra que a economia dos EUA só se recuperou realmente quando a Segunda Guerra Mundial já havia acabado.

Mais alguns mitos, equívocos e objeções comuns ao capitalismo:

1. Capitalismo é racista e sexista

Considerando o capitalismo economia de livre mercado, onde indivíduos são livres para escolher, nada poderia estar mais longe da verdade. O capitalismo assim definido é cego para raça ou gênero. O que importa é a troca de valores. Para ficar em apenas um exemplo, as lideranças políticas do sul dos EUA pressionavam os donos de empresas de ônibus a segregar os passageiros com base na cor da pele. Os próprios empresários de ônibus queriam ganhar dinheiro com transporte de pessoas, independente da cor da pele. Apenas uma observação: recusar serviço com base em cor de pele, gênero, orientação sexual ou qualquer outro motivo é uma prerrogativa do indivíduo dentro do capitalismo. Leve seu dinheiro para uma instituição que o receba. A instituição que recusa serviço está perdendo dinheiro, e neste sentido já recebeu a punição dentro do capitalismo.

2. Capitalismo tende a bolhas e pânico

Esta é uma observação presente tanto em Marx quanto em Keynes. Conforme observado nos mitos sobre a Grande Depressão e o New Deal, exatamente o oposto é verdade. Conforme a Escola Austríaca em geral e Friedrich Hayek de forma especial observaram, é a intervenção do governo, particularmente no setor bancário e financeiro, que produz bolhas e pânico. A tentativa do governo de estimular a economia através de juros baixos e outros artifícios apenas cria ciclos de crescimento e queda. Milton Friedman e a Escola de Chicago fizeram observações semelhantes. Deixada livre a economia é de certa forma imprevisível, mas através do sistema de preços podemos nos guiar sobre quando e no que é melhor gastar.

3. Capitalismo não investe em coisas importantes

É difícil saber o que seria um investimento importante. Somente indivíduos podem avaliar o que é importante para eles mesmos. O raciocínio aqui é que há investimentos de longo prazo, que custam muito dinheiro e não produzem resultado imediato. Capitalistas não investiriam em voos espaciais ou na cura de doenças, por exemplo. Mais uma vez observa-se a falácia da janela quebrada: investir em uma coisa significa não investir na próxima melhor opção. Exemplos recentes mostram que empresas atuando no livre mercado podem fazer mais, melhor e com menos desperdício do que governos, inclusive quando o assunto é exploração espacial.

4. Capitalismo leva a produção de coisas duvidosas

Mais uma vez este é um argumento de orientação subjetiva. Aquilo que é duvidoso para um individuo pode ser bom para outro. Há aqui a velha máxima de que “o capitalismo produz necessidades artificiais”. Conforme Voltaire respondeu a Rousseau mais de 200 anos atrás, este argumento não se sustenta. O que é uma “necessidade artificial”? Tesouras são necessidades artificiais? E sabão? E pasta de dente? Porque seres humanos viveram por séculos sem estas coisas. Conforme já foi observado por Joseph Schumpeter, a grande virtude do capitalismo é justamente trazer conforto a baixo preço não para reis e rainhas, mas para as pessoas mais simples em uma sociedade. Ainda que alguns possam considerar certos produtos de consumo duvidosos. Apenas não comprem.

Referências:

3 Myths of Capitalism (YouTube)

Top 3 Myths about the Great Depression and the New Deal (YouTube)

Common Objections to Capitalism (YouTube)

O capitalismo explora os trabalhadores?

Um dos argumentos contra o liberalismo econômico que tenho ouvido recentemente (ou contra a liberdade de mercado, com pouca ou nenhuma intervenção do estado) é que as relações entre patrões e trabalhadores são desiguais, e logo então desfavoráveis para os trabalhadores; cabe ao estado intervir a favor dos trabalhadores; o liberalismo econômico não é bom para os trabalhadores. Tenho dificuldade com este argumento, pois ele passa a ideia de que os patrões não trabalham. Seja como for, acredito que posso aceitar parte do que está sendo dito: é lógico que alguns patrões irão tentar pagar o pior salário possível aos trabalhadores para conseguir os maiores lucros possíveis. É lógico que muitos patrões irão ver qualquer investimento em segurança, bem estar, saúde e outros “direitos” como gastos incômodos, e irão tentar evitar estes gastos. É lógico que o trabalhador está pleiteando a vaga, e neste sentido está à mercê do patrão que a oferece. Tudo isto é não apenas lógico, mas empírico. Pessoalmente já vi estas coisas acontecendo “com estes olhos que a terra há de comer”. Há patrões que irão tentar fazer todas estas coisas e outras ainda, aproveitando-se da situação vulnerável dos trabalhadores. Irão tentar. Mas irão conseguir?

Segundo me parece, uma forma de evitar que patrões se aproveitem da situação vulnerável dos trabalhadores é apelar para a caridade dos patrões. Embora eu suspeite que esta abordagem possa soar romântica para muitos, o fato é que empiricamente ela funciona com alguma frequência. Historicamente, foi o cristianismo de muitos empresários que possibilitou a melhora das condições de trabalho na Europa e Estados Unidos durante o primeiro século de Revolução Industrial. Portanto, esta é uma abordagem que, acredito, não deve ser desconsiderada.

Uma segunda forma de evitar que patrões se aproveitem da situação vulnerável dos trabalhadores é criar leis trabalhistas. Ao invés de esperarmos que os patrões sejam voluntariamente bons, podemos usar a violência legítima do estado para força-los a serem bons. Esta abordagem possui efeitos positivos, mas também muitas consequências inesperadas. Basicamente o objetivo de qualquer lei é tornar os relacionamentos humanos mais padronizados. Uma maneira mais negativa de dizer a mesma coisa é falar que leis engessam a sociedade. Leis trabalhistas criam “direitos”, mas também impedem que trabalhadores e empregadores negociem voluntariamente outras possibilidades de relacionamento. Um exemplo bastante conhecido é o salário mínimo, que contra intuitivamente prejudica os trabalhadores mais do que os ajuda. Finalmente, leis só fazem sentido caso sejam amparadas por um estado. E com mais leis, mais estado. Nossa relação com o estado já é por definição desigual: o estado possui o monopólio do uso legitimo da violência; nós não. Aumentar o tamanho do estado é aumentar nossa vulnerabilidade dentro de uma relação desigual, o que vai contra exatamente o que está sendo discutido aqui.

Uma terceira forma de evitar que patrões se aproveitem da situação vulnerável dos trabalhadores é a liberdade econômica. Sim, como eu comecei dizendo, é lógico e empírico que alguns patrões irão tentar se aproveitar de situações de vulnerabilidade dos empregados. Mas irão conseguir? Numa sociedade orientada pela liberdade de mercado, é mais provável que não. Com liberdade de mercado, a tendência é o surgimento de concorrência, além de uma maior diversidade de atividades econômicas. Neste cenário, patrões que procurem abusar dos trabalhadores correm o rico de perder os trabalhadores para outros patrões. Mesmo no cenário improvável de todos os patrões serem abusivos, tratar bem os trabalhadores torna-se um imperativo para manter os lucros. A alternativa seria um acordo geral dos patrões abusivos, mas isto tornasse empiricamente infactível numa sociedade progressivamente marcada por liberdade de escolha. Uma última observação nesta lista muito longe de exaustiva de benefícios do livre mercado para o trabalhador é que no livre mercado a tendência é de aumento da produtividade. E nada está mais ligado a aumentos de salários do que aumento de produtividade. De fato, onde há liberdade de mercado os salários aumentam, assim como o poder de compra.

Em resumo, sim, há patrões que se aproveitam das relações desiguais com trabalhadores para exercer poder sobre estes mesmos trabalhadores. Isto é não apenas lógico, mas empírico. Mas qual é a melhor solução para este problema? Apelar para a boa vontade dos patrões? Criar leis que deem aos trabalhadores mais direitos? Favorecer uma maior liberdade de mercado? Minha resposta é: criar leis que favoreçam maior liberdade de mercado, e ao mesmo tempo apelar para a boa vontade dos patrões, até porque num cenário de maior liberdade econômica, patrões abusivos estão indo contra seus próprios interesses.

 

Referências:

O capitalismo explora os trabalhadores?

Alguns mitos, equívocos e objeções comuns ao capitalismo

No meu último post ofereci uma definição de capitalismo baseada nos conceitos de escolha pessoal, trocas voluntárias, liberdade de competição e direitos de propriedade privada. Em resumo, um capitalismo liberal ou uma sociedade de livre mercado. Neste post eu gostaria de começar a desfazer alguns mitos, equívocos e objeções comuns ao capitalismo (se entendido nos termos que defini anteriormente). A lista não é exaustiva, mas acredito que cobre bastante terreno da discussão. Aí vai:

  1. Ser pró-capitalismo é ser pró-grandes corporações.

Adam Smith observou que empresários dificilmente se encontram para eventos sociais, mas que quando se encontram não conseguem evitar combinar meios de evitar a mútua concorrência. Empresários (especialmente donos de grandes corporações) tendem a não gostar de concorrência. É compreensível. A maioria de nós também preferira não ter colegas de trabalho com quem competir, assim como vários corredores hoje gostariam que Usain Bolt não existisse. O capitalismo liberal, no entanto, é um sistema de perdas e ganhos. Numa economia verdadeiramente livre de intervenção do estado é improvável que corporações se tornem desproporcionalmente grandes. A tendência é ao nivelamento.

  1. O capitalismo gera uma distribuição de renda injusta

Uma das grandes objeções ao livre mercado é a desigualdade de renda. No entanto, nenhum sistema econômico na história foi tão eficiente em retirar pessoas da pobreza quanto o capitalismo. Numa economia verdadeiramente livre a desigualdade existe e é basicamente inevitável, mas não é nada quando comparada a sociedades que optam pelo controle estatal da economia. China, URSS e Cuba são os países mais desiguais da Terra.

  1. O capitalismo é responsável por crises econômicas, incluindo a mais recente

A crise de 2008 foi causada por intervenção do governo norte-americano nos setores bancário e imobiliário. Sem intervenção do governo, instituições financeiras teriam um comportamento mais cuidadoso e a crise seria evitada. A mesma observação vale para basicamente qualquer crise econômica dos últimos 200 anos.

  1. Capitalismo explora os pobres

A livre concorrência, por definição, não é um sistema de exploração. Quando eu pago cem reais por um par de sapatos, isso significa que eu valorizo mais o par de sapatos do que os cem reais. O sapateiro, por sua vez, valoriza mais os cem reais do que o par de sapatos. Isso não quer dizer que não existam vendedores inescrupulosos, ou que não existam compradores injustos. Mas numa sistema de livre concorrência as possibilidades de fraude são mitigadas justamente pela concorrência: se o produto ou serviço não agrada ao consumidor, há sempre a possibilidade de procurar a concorrência. Em resumo, no capitalismo o consumidor é rei. Para concluir este ponto, apenas uma observação: o salário é nada mais do que o preço que se paga pelo trabalho de uma pessoa. E as mesmas observações se aplicam.

  1. Capitalismo é injusto

Algumas pessoas nascem com deficiências. Algumas pessoas nascem em famílias pobres ou desestruturadas. Isso é injusto? Por quê? Uma definição clássica de justiça é “dar a cada um o que lhe é devido”. O que nós é devido? O que nós merecemos? Eu merecia ter nascido com boa saúde? O que eu fiz para merecer isso? Estas perguntas facilmente nos levam a grandes indagações filosóficas e teológicas, e logo demonstram o quanto a acusação de injustiça numa economia livre é superficial. Ainda assim, nenhum sistema político ou econômico permite a ajuda aos desfavorecidos como o capitalismo. Se você considera injusto que existam pessoas sem dinheiro, sem saúde ou sem famílias estruturadas, sugiro que seja coerente e use mais do seu tempo e dinheiro para ajudar estas pessoas. 

  1. Capitalismo não traz felicidade

Pensando num sentido aristotélico, felicidade possui significados diferentes para cada um. Para um cristão significa ter um relacionamento pessoal com Deus através de Jesus Cristo. Provavelmente um não cristão não irá concordar com este conceito de felicidade. Dito isto, a liberdade econômica não tem como objetivo trazer felicidade para qualquer pessoa, e assim é injusto culpá-la por algo que não propõe fazer. Porém, dentro de um sistema de liberdade econômica a tendência é que a liberdade para a busca da felicidade também esteja presente. Além disso, com liberdade econômica é mais provável que consigamos buscar nossa felicidade através da criação de uma família, do envolvimento com instituições religiosas, ou mesmo ficando ricos simplesmente.

  1. Capitalismo não é estético e é poluidor

Os países mais poluidores do século 20 foram URSS e China. Proporcionalmente ao tamanho da sua população, EUA está longe do topo desta lista. Quanto ao fator estético, sugiro pesquisar por imagens da Alemanha Ocidental e da Alemanha Oriental, ou da Coreia do Sul e da Coreia do Norte. Dizem que a beleza está nos olhos de quem vê, mas me parece bastante óbvio que esta acusação estética é simplesmente falsa.

  1. Corporações são cheias de escândalos e extorsão

Com certeza elas são. Mas possuem o mesmo nível de corrupção de governos? A matemática é bastante simples: quanto mais governo, mais corrupção. Além disso, com uma corporação é possível simplesmente levar o dinheiro embora dali. Governos não são tão permissivos com evasão de impostos. A proposta de criação de mais sistemas de vigilância governamental apenas aumenta o tamanho do governo e as possibilidades de corrupção. A ideia de transparência e de consulta popular também é simplesmente falsa: a não ser que possamos passar 24 horas de nossos dias vigiando os governantes, estes sistemas simplesmente não terão possibilidade de funcionar. A solução mais simples continua sendo menos governo.

Há mais alguns tópicos que podem ser acrescentados e que deixarei para um futuro post. Por enquanto basta dizer que capitalismo (definido como livre mercado) pode ser bastante diferente daquilo que popularmente se entende.

Para saber mais:

https://www.youtube.com/watch?v=KGPa5Ob-5Ps

https://www.youtube.com/watch?v=ZgiLF48w7uQ

O que é capitalismo?

O Brasil é capitalista? O capitalismo é culpado por vários problemas que observamos no Brasil? E outros países? A China é hoje um país de economia capitalista, ainda que com política socialista (ou comunista)? O capitalismo prejudica os mais pobres enquanto beneficia os mais ricos? Estas são algumas questões com as quais me esbarro regularmente. Algumas pessoas mais sofisticadas observam que não há apenas um capitalismo, mas vários: o capitalismo brasileiro é diferente do sueco, que é diferente do japonês, que é diferente do norte-americano, e assim por diante. Vejo alguma pertinência nesta observação, mas penso que ela ainda deixa de lado a questão mais básica e fundamental: o que é capitalismo?

Suponho que sem recorrer a qualquer fonte podemos concluir que capitalismo é algo relacionado a capital. Segundo o Palgrave Macmillan Dictionary of Political Thought, de Roger Scruton, “o capitalismo é um arranjo econômico, definido pela existência predominante de capital e trabalho assalariado”. De acordo com esta definição, no capitalismo alguns ganham salários e outros ganham lucros. Capital por sua vez é definido como “os meios de produção produzidos, ou seja, commodities que foram produzidas e que por sua vez podem ser empregadas na produção de outras commodities”. Em outras palavras: capital são recursos que são empregados na produção de mais recursos. Capitalismo é um sistema econômico (e não predominantemente político ou social ou cultural) que gira em torna da alocação destes recursos.

Partindo de uma forma de pensar semelhante, Milton Friedman observou que todos os países são capitalistas. Os EUA são capitalistas. A China é capitalista. A URSS é capitalista (Friedman estava fazendo esta observação ainda no período da Guerra Fria). Não há país (ou sociedade) onde não haja capital e onde não ocorram decisões sobre como alocar o capital. Há bastante tempo Max Weber fez uma observação semelhante, afirmando que alguma forma de capitalismo esteve presente em todas as civilizações, com a diferença que mais recentemente o Ocidente produziu um capitalismo moderno, com características peculiares. Mas voltando para Friedman: todos os países são capitalistas. A questão é: quem controla o capital?

A pergunta de Friedman lembra uma observação de Friedrich Hayek: durante o período da Guerra Fria era comum afirmar que a economia da URSS era planejada, enquanto que a economia dos EUA não era. Mas esta afirmação está errada: ambas economias eram planejadas. A da URSS por um pequeno grupo de pessoas em Moscou; a dos EUA por milhões de indivíduos espalhados pelo país. O ponto de Hayek é que uma economia necessariamente envolverá decisões sobre como alocar capital (ou recursos). A questão é: quem tomará estas decisões? Um grupo de governantes num comitê centralizado, em nome de toda a população? Ou a própria população, numa esfera mais modesta, dentro de suas próprias vidas?

Adam Smith é popularmente considerado o pai do capitalismo (e também da Economia como disciplina acadêmica, além do liberalismo econômico. Adam Smith teve muitos filhos). Curiosamente, Smith não usou o nome capitalismo em seus escritos (este nome seria cunhado mais tarde por marxistas – o próprio Marx também não usou este nome, ao menos não regularmente), mas falava sobre sociedade de mercado. A observação de Smith era que em tempos recentes mais pessoas estavam se tornando mercadores. Em tempos antigos (sobretudo na Antiguidade Clássica de Grécia e Roma) as relações econômicas eram dominadas por donos de terras e escravos. Havia mercadores (ou comerciantes), mas estes ocupavam um espaço menor na sociedade (e também eram vistos com desconfiança por não produzirem nada – apenas trocarem o que outros produziram). Na Inglaterra do final do século 18 mais pessoas eram comerciantes, isto é, trocavam alguma coisa, ainda que “alguma coisa” fosse sua força de trabalho em troca de salários. Neste sentido, Smith não inventou o capitalismo moderno: apenas observou e descreveu seu nascimento – além de suas vantagens diante de outros arranjos econômicos.

Partindo de Adam Smith e chegando a Friedman e Hayek, podemos observar quatro elementos fundamentais do capitalismo moderno (ou do liberalismo econômico, ou as sociedade de mercado, ou do livre mercado): escolha pessoal; trocas voluntárias; liberdade para competir em mercados; direito de propriedade privada. A escolha pessoal se refere às decisões individuais que se toma a respeito dos recursos individuais (devo sair para trabalhar hoje? Ou devo ficar em casa?). Trocas voluntárias se refere ao fato de que posso livremente trocar meus recursos com outra pessoa que queira fazer o mesmo (havendo uma coincidência de vontades). Liberdade para competir significa que posso oferecer meus serviços (ou produtos, ou talentos) e aguardar que haja interessados. Propriedade privada se opõe a propriedade coletiva ou comunal, geralmente sob controle do estado.

Uma forma mais direta de sistematizar a teoria de Smith (e neste ponto de Friedman e Hayek) é dizer que no livre mercado a propriedade é privada (e não coletiva ou comunal) e o trabalho e assalariado (e não escravo). Mais simples ainda, o livre mercado opera pela máxima de “não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você”, ou “não mexa com quem está quieto”. No livre mercado os indivíduos são livres para fazer trocas voluntariamente com outros indivíduos – que queiram voluntariamente fazer estas trocas, havendo coincidência de vontades.

Há muitos economistas que consideram que a sociedade de mercado é mais um tipo ideal do que uma realidade. Alguns países estão mais próximos desta ideal do que outros, e neste sentido é válida a observação de que há variedades de capitalismo. O capitalismo praticado no Brasil (ou na China) não é (nunca foi e nunca chegou perto de ser) o capitalismo liberal descrito ou almejado por Smith, Friedman e Hayek. O capitalismo praticado nos EUA está mais próximo disso, embora esteja num franco afastamento deste ideal há várias décadas.

Saber o que é capitalismo é um primeiro passo para sabermos se este é um modelo que desejamos ou não. Pretendo nos próximos posts continuar este assunto. Por ora, digo apenas que quando falo a respeito de capitalismo estou pensando na sociedade de mercado descrita ou almejada pela tradição liberal. Caso o que temos no Brasil seja capitalismo, certamente não é este capitalismo que defendo.

Forget income, the greatest outcome of capitalism is healthier lives!

Yesterday, James Pethokoukis of the American Enterprise Institute posted, in response to Bernie Sanders’ skepticism towards free market, that capitalism has made human “fantastically better”.

I do not disagree – quite the contrary. However, Pethokoukis makes his case by citing the fact that material quality of life has increased for everyone on earth since the early 19th century. I believe that this is not the strongest case for capitalism.  The strongest case relies on health. This is because it addresses an element that skeptics are more concerned about.

Indeed, skeptics of capitalism tend to underline that “there is more to life than material consumption”. And they are right! They merely misunderstand that the “material standard of living” is strongly related to the “stuff of life”. For them, income is of little value as an indicator. Thus, we need to look at the “quality of human life”. And what could be better than our “health”?

The substantial improvement in the material living standard of mankind has been accompanied by substantial improvements in health-related outcomes! Life expectancy, infant mortality, pregnancy-related deaths, malnutrition, risks of dying from contagious diseases, occupational fatalities, heights, the types of diseases we die from, quality of life during old age, the physical requirements of work and the risks related to famines have all gone in directions indicating substantial improvements!

My favorite is the case of height. Human stature is strongly correlated with income and other health outcomes (net nutrition, risks of disease, life expectancy, pregnancy-related variables). Thus it is an incredible indicator of the improvement in the “stuff of life”. And throughout the globe since the industrial revolution, heights have increased (not equally though).  Over at OurWorldInData.org, Max Roser shows this increase since the 1800s (in centimeters)

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However, the true magnitude of the increase in human heights is best seen in the data from Gregory Clark who used skeletal remains found in archaeological sites for ancient societies. The magnitude of the improvement is even clearer through this graph.

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The ability of “capitalism” to generate improvement in material living standards did leak into broader measures of human well-being. By far, this is the greatest outcome from capitalism.

The Crypto Anarchist Manifesto (1988)

Crypto-anarchism is a subversive philosophy that extends anarchism into the world of cyberspace. Crypto-anarchists attempt to protect their privacy and political freedom through the use of information technologies. Timothy May, one of the co-founders of Cypherpunk and writer of the ‘Crypto Anarchist Manifesto’, describes Crypto-anarchism as

“the cyberspatial realization of anarcho-capitalism, transcending national boundaries and freeing individuals to make the economic arrangements they wish to make consensually.”

In this article I would like to post Timothy May’s ‘Crypto Anarchist Manifesto’, which was first spread among like-minded tech-anarchists in mid-1988 at the “Crypto ’88” conference. The Manifesto was also discussed at the first physical Cypherpunk meeting in 1992. Most people have never heard of Cypherpunk, but they might know their most notable member: Julian Assange, founder of Wikileaks.

See here the full Manifesto:

A specter is haunting the modern world, the specter of crypto anarchy.[1]

Computer technology is on the verge of providing the ability for individuals and groups to communicate and interact with each other in a totally anonymous manner. Two persons may exchange messages, conduct business, and negotiate electronic contracts without ever knowing the True Name, or legal identity, of the other. Interactions over networks will be untraceable, via extensive re- routing of encrypted packets and tamper-proof boxes which implement cryptographic protocols with nearly perfect assurance against any tampering. Reputations will be of central importance, far more important in dealings than even the credit ratings of today. These developments will alter completely the nature of government regulation, the ability to tax and control economic interactions, the ability to keep information secret, and will even alter the nature of trust and reputation.

The technology for this revolution–and it surely will be both a social and economic revolution–has existed in theory for the past decade. The methods are based upon public-key encryption, zero-knowledge interactive proof systems, and various software protocols for interaction, authentication, and verification. The focus has until now been on academic conferences in Europe and the U.S., conferences monitored closely by the National Security Agency. But only recently have computer networks and personal computers attained sufficient speed to make the ideas practically realizable. And the next ten years will bring enough additional speed to make the ideas economically feasible and essentially unstoppable. High-speed networks, ISDN, tamper-proof boxes, smart cards, satellites, Ku-band transmitters, multi-MIPS personal computers, and encryption chips now under development will be some of the enabling technologies.

The State will of course try to slow or halt the spread of this technology, citing national security concerns, use of the technology by drug dealers and tax evaders, and fears of societal disintegration. Many of these concerns will be valid; crypto anarchy will allow national secrets to be trade freely and will allow illicit and stolen materials to be traded. An anonymous computerized market will even make possible abhorrent markets for assassinations and extortion. Various criminal and foreign elements will be active users of CryptoNet. But this will not halt the spread of crypto anarchy.

Just as the technology of printing altered and reduced the power of medieval guilds and the social power structure, so too will cryptologic methods fundamentally alter the nature of corporations and of government interference in economic transactions. Combined with emerging information markets, crypto anarchy will create a liquid market for any and all material which can be put into words and pictures. And just as a seemingly minor invention like barbed wire made possible the fencing-off of vast ranches and farms, thus altering forever the concepts of land and property rights in the frontier West, so too will the seemingly minor discovery out of an arcane branch of mathematics come to be the wire clippers which dismantle the barbed wire around intellectual property.

Arise, you have nothing to lose but your barbed wire fences!

Footnote

[1] This is clearly a wordplay on the opening sentence of Karl Marx’ and Friedrich Engels’ The Communist Manifesto which reads: “A spectre is haunting Europe—the spectre of communism.”